George De Leon foi um dos primeiros estudiosos a levar o tema das comunidades terapêuticas para as universidades.

Psiquiatra e pesquisador, percebeu a relevância da ajuda mútua entre os pares e a importância desse trabalho. Ao mesmo tempo, compreendeu a necessidade da atuação multidisciplinar de profissionais nesse processo.

Ao organizar métodos e dialogar com diferentes teorias, mostrou que a convivência terapêutica pode provocar transformações profundas e ajudar profissionais a enxergarem o sujeito em sua totalidade.

Falar de comunidade terapêutica é falar de vidas transformadas. Há opiniões diversas sobre o tema — e elas precisam existir. Contudo, comunidades terapêuticas sérias passam por fiscalizações de órgãos competentes e só podem exercer suas atividades mediante autorizações, documentações, relatórios e exigências legais.

Questionar irregularidades é necessário. Denunciar espaços que não cumprem sua função também. Mas, para refutar um modelo sério de comunidade terapêutica, é preciso antes conhecê-lo de perto. Foi justamente isso que De Leon propôs: que a universidade estivesse in loco, observando e avaliando essa realidade.

Não se pode medir todas as comunidades terapêuticas pela realidade de apenas uma instituição. É necessário fiscalizar, denunciar quando necessário, mas também conhecer e compreender os caminhos possíveis de transformação.

O número exorbitante de pessoas que fazem uso abusivo de substâncias psicoativas revela uma sociedade adoecida e carente de humanização. Enquanto desumanizamos o “dependente” e o reduzimos apenas à sua condição, deixamos de enxergá-lo em sua totalidade.

A comunidade terapêutica não busca apenas afastar alguém da dependência. Ela busca possibilitar que essa pessoa se reconheça novamente como cidadã, dotada de direitos e deveres e, acima de tudo, como um ser humano capaz de sonhar e reconstruir sua história.

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