A dependência química não tem uma cor bonita.
Embora muitos busquem, nas substâncias psicoativas, algum tipo de colorido para a vida, o que geralmente encontram é um alívio imediato e passageiro. Na tentativa de dar sentido à dor, aliviar o vazio ou suportar o peso da realidade, acabam esquecendo a dor do depois. E, para suportá-la, buscam mais e mais.
A Comunidade Terapêutica talvez não apresente, à primeira vista, as cores que muitos imaginam. Mas é ali que novos tons começam a surgir.
No cuidado com a horta, com o galinheiro, na cama estendida, na louça lavada, no zelo pelos espaços em comum, no autocuidado e no cuidado com o outro.
É no devocional, nos grupos, no CEJA, no Jiu-jitsu, no jogo de futebol, no dominó, no xadrez, que a mente vai despertando novamente. E, aos poucos, os sonhos voltam a nascer. Os sorrisos voltam a aparecer.
Psicóloga, assistentes sociais, Tio Luís, nossa equipe técnica, as profissionais vinculadas ao Programa Universidade Gratuita da Univali, médica e dentista, têm contribuído de forma valiosa nesta trajetória. A universidade e o Pró Vida seguem para além dos muros. Dois mundos que se encontram e convergem em favor da vida.
Nossos monitores são linha de frente. Estão 24 horas com os acolhidos, enxergando, acolhendo, exortando e, principalmente, amando.
Nossas cozinheiras são o coração do Pró. No alimento físico, constroem memórias ou as despertam. E também aquecem o espiritual. É em volta da mesa que muitas reuniões familiares acontecem, e é ali que a partilha do pão também se transforma em partilha de vida.
E, nos bastidores, o administrativo assume o papel, muitas vezes silencioso e até visto como “o chato”, mas tão necessário, no cuidado com a documentação, a legislação e o financeiro.
Todos contribuem para que nossos acolhidos voltem a sonhar.
Algo muitas vezes perdido no vício, no desvalor social, na culpa e no remorso.
Primeiro, muitos chegam buscando auxílio para sair da dependência. Depois, percebem que ainda há tempo para sonhar, reconstruir e recomeçar.
O Pró Vida aprende fazendo.
Deus reúne pessoas para aprendizado mútuo e para a ação em amor.